quinta-feira, outubro 13, 2005

“Alice” (2005), Marco Martins



Desesperadamente à procura de Alice

Alice desapareceu há 193 dias. Desde aí, o seu pai Mário (Nuno Lopes) tem percorrido desesperadamente as ruas de Lisboa para ver se encontra algum rasto da filha.
Todos os dias Mário percorre o mesmo caminho e os mesmos passos que efectuou no dia em que a sua filha desapareceu, na esperança vaga de encontrar pistas que o levem até Alice.
A sua obsessão e desespero incitam-no a montar câmaras de filmar em vários pontos da cidade com o intuito de encontrar o rosto da filha no meio da multidão anónima e alienada.

Marco Martins filma Lisboa duma maneira notável, uma cidade inóspita e fria por onde as pessoas deambulam indiferentes a tudo. No meio da cidade cinzenta vemos um homem, Mário, que anda ao contrário de todos os outros.
Este homem, aterrado pela ausência da filha desaparecida, vagueia também ele perdido por Lisboa na esperança já quase perdida de encontrar o que lhe pertence.
“Alice” é um drama muito humano e trágico, não só no conteúdo mas na forma também. Se o tema dum ente querido por si só já é aterrador, a forma como o filme se apresenta também nos transmite esse clima sombrio e tristemente solitário.

Nuno Lopes tem aqui uma prestação notável, dum pai em pleno desespero e angústia que carrega nas costas uma perda insubstituível.
Também de salientar a belíssima banda sonora de Bernardo Sasseti.

“Alice”, como já referi, é um filme tristemente belo que nos dá orgulho de irmos ao cinema ver filmes nacionais.
Mas se todos estes aspectos são positivos, temos também partes do filme um pouco entediantes e com pouquíssimos diálogos (que enriqueceriam o filme, na minha opinião).

* * *

9 comentários:

BiTa disse...

Um filme lindo...com tanto sentimento...um filme português?...que orgulho...

pequenoabrigodemimparati.blogspot.com

=)

Julio disse...

Gostei muito do filme. A forma como foi filmado está muito boa, com a cor predominante azul e cinzenta, fria e triste. Cria um ambiente de desolação e tristeza/abandono. Dialogos há poucos pois, e a maior parte do filme so vemos o pai a entregar papeis e a instalar camaras de video. Ah, e amusica esta mt boa, cm disseste! Concordo com a nota, como sempre ;) amt.bjs

André Batista disse...

Já vi o filme 3 vezes (curiosamente a última vez foi hoje, portanto ainda estou 'fresco), e considero-o um dos melhores filmes do ano. See ya :) (p.s. : tenho análise ao filme no cool2ra)

gonn1000 disse...

Uma primeira obra interessante, mas penso que está a ser muito sobrevalorizada por alguns...

Spaceboy disse...

Tenho que ir ver o filme!

H. disse...

concordo com a tua análise... " é um filme tristemente belo que nos dá orgulho de irmos ao cinema ver filmes nacionais"...

e a cena em que vemos Mário a andar no sentido contrário ao da multidão é de facto ilustrativa de uma parte do sentido do filme.

muito sóbrio mas muito artístico, sobretudo, muito humano. é um filme a ver sem dúvida!

João D. disse...

Realmente, pelo que tenho lido, deve ser um belo dum filme. e agora paciência parar tirar o cu das cadeiras tãão confortáveis da faculdade para ir vê-lo? Xi aí a porca torce o rabo. A ver vamos...

Joana C. disse...

não sejas preguiçoso João, olha que vale a pena :)

trissomico disse...

fui ver hj o filme.
adorei. para ser sincero não conheço muitos filmes portugueses, mas se bastantes deles estiverem ao nivel deste então acho que vale mesmo a pena ir ao cinema ver.
destaco o som no filme, está lindo.
o nuno lopes faz um grande papel.
*