sábado, junho 17, 2006

“Hard Candy” (2006), David Slade



Quem tem medo do capuchinho vermelho?

Hayley (Ellen Page) é uma adolescente de catorze anos que, através da Internet, conhece Jeff (Patrick Wilson), um fotógrafo de trinta e poucos anos. Os dois combinam encontrar-se num café e, após várias trocas de olhares e gestos, Jeff convida a rapariga para ir até sua casa.
Depois de oferecer umas bebidas misturadas por si que levam a que Jeff fique inconsciente, Hayley prepara a sua vingança que tem como propósito descobrir o passado do fotógrafo.

O tema da pedofilia, tema este infelizmente tão em voga nos dias que correm, foi muito bem trabalhado pelo argumentista e pelo realizador que pretenderam fazer um filme diferente e inesperado.

“Hard Candy” nunca é aquilo que aparenta ser e o espectador muitas vezes não sabe de que lado se há-de colocar. Afinal a vítima é a adolescente astuta ou o presumível pedófilo? Acabamos por nunca ter a certeza pois também as verdadeiras intenções de Jeff para com Hayley permanecem num mistério.
O mais espantoso do filme é tratar-se mesmo de uma inversão de papéis: aqui a vítima não é a adolescente indefesa mas sim o pedófilo. A vingança que Hayley prepara é em nome de todas as vítimas que, supostamente, sofreram nas mãos de Jeff.

“Hard Candy”, filme que esteve presente no Festival de Sundance deste ano, vive sobretudo da interpretação dos dois actores e do espaço (pequeno) onde a acção se desenrola.
A utilização e escolha das cores (vermelho, cinzento e amarelo), a decoração minimalista e moderna do apartamento (local onde quase todo o filme é passado) e as bruscas mudanças de plano, são elementos estilísticos que saltam, e muito, à vista, ou não fosse o realizador especializado na área dos videoclips.

* * *

9 comentários:

membio disse...

é um filme que é carregado com duas performances excelentes, mas q infelizmente sofre um bocado de falta de intriga... ou seja os actores, de tanto esforço e dedicação que mostram no ecrã levam o espectador a crer que irá acontecer algo de extraordinário, mas infelizmente pouca coisa acontece...

João D. disse...

bom filme. O conflito moral que ele nos cria está muito bem delineado, e é precisamente o facto de pouca coisa acontecer que, no fim, me deixou ainda mais confuso sobre quem era a vítima ou o culpado. Neste filme isso não existe, é logo um ponto a seu favor.

Não é um filme do caraças (que raio está ali a fazer a vizinha?) mas é bom. dei 7/10, mas se fosse por estrelas também acho que dava 3(para mim é o que equivale por pouco probabilístico que isso possa ser).

gonn1000 disse...

Não é tão bom como esperava, mas a realização é um estrondo e as interpretações não lhe ficam atrás.

H. disse...

disseste bem, ñ percebo pq só 3 estrelas ;)
ñ é genial, ms está perturbadoramente bom!

Morph's disse...

Gostei bastante, e acho que a falta de intriga contribui para um argumento mais consistente e convincente...comparo-o a uma short-story, em que até ao fim estamos na dúvida sobre tudo e todos.
a realização, muito convincente, 4/5

Mário Lopes disse...

Já vi e gostei muito. Gostei igualmente da tua análise, embora não concorde com tudo, mas quando fizer a minha análise saberás o que é :).

Bjs *******

Criswell disse...

Excelente debut de David Slade a mostrar que não faltam grandes promessas em hollywood.

lorenzetti disse...

Grande argumento. Espero que não fique esquecido e seja, porque não, re-adaptado. O Gato e o Rato é sempre um bom tema.

Anónimo disse...

Very cool design! Useful information. Go on! »